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Fake news e ativismo comprometem informação sobre nutrição

Trabalhar com informação sobre nutrição nunca foi tão desafiador. Foi-se o tempo em que as fontes eram profissionais referências em suas áreas de atuação e os canais de comunicação, os jornais, as revistas e as emissoras de TV e rádio. Hoje as mídias são as mais diversas e as fontes do saber não se restringem a especialistas e estudiosos.

Sim, vivemos tempos conturbados na comunicação e a nutrição foi atingida em cheio pela onda das fake news. Trata-se da mais devastadora praga da nova era da informação. E, como toda praga, ela se espalha com uma facilidade e rapidez que fica quase impossível combatê-la.

Quando falamos em notícia falsa, quanto mais controverso e complexo for o assunto, mais atenção ele tende a atrair. Isso acontece porque ela tem a capacidade de simplificar temas complicados, difíceis de entender, tanto do ponto de vista científico, como social, político e econômico, uma vez que manipula o conhecimento técnico e o sistema de valores vigente. A área de alimentos é a vítima perfeita para as fake news, pois está sujeita a um fluxo constante de informações e atualizações. Essa lógica se aplica, por exemplo, às culturas geneticamente modificadas, aos defensivos agrícolas e aos alimentos industrializados.

 

Ao contrário da mídia tradicional, cujos profissionais checam a veracidade das informações e entrevistam fontes gabaritadas para produzir conteúdo, não conseguimos verificar a procedência do que é veiculado nas “notícias” da internet e das redes sociais. Além disso, a informação não tem data definida. Uma vez na rede, ela se torna atemporal, indo e voltando de tempos em tempos — muitas vezes, fora de contexto.

Não é à toa que, a fim de diminuir os danos causados pelas fake news, têm surgido sites que prestam um serviço muito interessante: checar a veracidade da informação. Se você tem dúvida quanto à autenticidade de uma determinada história que circula por aí, pode procurar um site desses e checar, antes de repassá-la adiante.

Mas o problema nem sempre é o conteúdo falso, mas, sim, o conteúdo mal explicado. Quer fazer um teste? Aposto como você já leu sucessivas vezes que o uso de defensivo agrícola no Brasil é muito alto, certo? Em números absolutos isso até pode ser verdade, mas, quando vemos esse dado, precisamos refletir melhor sobre o contexto do qual ele faz parte.

Segundo a Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), o Brasil é hoje o maior mercado mundial de defensivos agrícolas. Mas isso não significa que estamos sendo envenenados. A liderança brasileira nesse ranking é justificada pelas características climáticas do país, que por um lado permite o cultivo de duas a três safras anuais, porém exige tratamento constante contra pragas e insetos invasores. Com três ciclos de produção anuais, é esperado que o consumo de defensivos seja maior.

Nos Estados Unidos e na Europa, que colhem praticamente uma grande safra ao ano, parte do controle das pragas é feito naturalmente no inverno, quando a neve cobre o solo e impede a proliferação dos insetos. Ainda assim, no verão os defensivos são amplamente utilizados pelos produtores locais desses países com uma eficiência, diga-se, muito menor quando comparados aos agricultores brasileiros.

 

Fonte:https://saude.abril.com.br/blog/alimente-se-com-ciencia/fake-news-e-ativismo-comprometem-informacao-sobre-nutricao/

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